Nos acomodamos no bagageiro em meio a mochilas, caixas e afins. O começo receoso deu lugar a uma certa tranquilidade e alívio por estarmos deixando aquela cidade inóspita e até passamos a curtir aquele modo inusitado de viajar comentando que entre nós o que diriam nossos amigos depois que falássemos desta aventura, com isso tiramos algumas fotos pra conprovar.
Com o tempo o desconforto daquele lugar apertado e abafado foi aumentando, para nossa sorte 'pincho la janta' e o ônibus parou para trocar o pneu, nessas ocasiões que aproveitámos para estivar as pernas e respirar um ar puro, esta cena repetiu-se mais umas três vezes no decorrer da viagem. Íamos muito bem até termos que fechar a única entrada de ar que possuíamos devido a um temporal fortíssimo que começou a cair. O ar a partir de então ficou horrível com muita poeira e nenhuma renovaçao, nesse momento fiquei receoso e pedi para o motorista, que também estava no bagageiro, abrisse um pouco pare entrar o ar. Após alguns chutes e socos no teto do bagageiro e minutos angustiantes depois abriram a porta e poderiamos respirar bem novamente.
O cansaço era tanto que mesmo apertado consegui dormir e só fui acordar pela manhã quando abriram a porta, desci e senti no meu pé o motivo da parada, a estrada estava cheia de lama e meu pé também. Passamos horas para vencer o atoleiro, mas depois de várias tentativas frustradas e muita lama na cara conseguimos passar, vimos o motivo desse sufoco todo, ou seja, a ferrovia alagada ou melhor a água por cima dela e chegamos a Santa Cruz de La Sierra.