22.9.07

Resumo da Viagem - Brasil/Bolívia/Perú/Argentina

Objetivo: viajar pela América Latina, partindo do Rio de Janeiro/Brasil com destino a principal cidade da civilização Inca, Machu Pichu/Perú. O roteiro será realizado por meio terrestre, pelas rodovias e ferrovias dos países citados, com o intuito de conhecer as nuances de cada povo, sua cultura e modo de vida. Além de vislumbrar a natureza da região - das planícies alagadas do pantanal brasileiro até as montanhas geladas da Cordilheira dos Andes.

Momentos marcantes: como em toda jornada seu início é marcado por incertezas e apreensões, conheci meu companheiro de viagem na rodoviária, nos apresentamos, despedi-me de minha mãe e meu tio e seguimos para Corumbá.

A viagem foi tranqüila e menos cansativa do que pensávamos e para quem buscava aventura, a primeira experiência em solo "hermano" épica. A estrada de ferro do tão famoso trem da morte estava interditada devido as chuvas torrenciais e por isso atravessamos o pantanal boliviano num táxi de dois irmãos, dignos personagens literários, até uma inóspita cidade chamada Roboré.

Naquele momento imaginávamos ter vivenciado a parte de maior aventura do trajeto, ledo engano, até Santa Cruz de La Sierra ainda deveríamos percorrer centenas de quilômetros e como não havia outra forma, decidimos viajar no bagageiros do ônibus ou "flota", como eles dizem. Passamos por tempestades, lamaçais e alagados, deparando-nos por diversos tipos de gente desde o tipíco boliviano pantaneiro, passando por alemães de comunidades alheias ao mundo moderno até os índios do altimplano boliviano.

A primeira parada em La Paz foi tão rápida quanto intensa, saímos da rodoviária direto para a pista de ski mais alta do mundo e logo em seguida direto para Copacamana,a beira do Lago Ititicaca, onde pela manhã conhecemos a "Isla del Sol" e as ilhas flutuantes.

De Copacabana seguimos para Cusco, nossa base até Machu Pichu. Linda a cidade, limpa, com o turismo bem organizado, vários museus, uma praça com diversas boates - detalhe, todas que fui tinham entrada franca e um cuba libre gratuito - e um povo muito receptivo, apesar de pobre. Fato muito marcante foi minha participação em peça popular numa das maiores praças do centro histórico, coisa surreal, com direito a muitos aplausos e uma afirmação que deixou-me envaidecido, no qual o ator principal e diretor da trupe, chamou-me de verdadeiro ator e convidou-me para outra apresentação.

Machu Pichu, a cidade inca é fantástica, a começar pelo trajeto até suas principais construções. Atravessamos um vale épico, com montanhas nevadas e um rio de águas barrentas e agitadas que é acompanhado pela ferrovia. O dia de sol vislumbrava um ótimo passeio, ate que ao chegarmos em Águas Calientes e decidirmos por abandonar o trajeto turístico, seguindo a pé pela estrada, somos brindados pelo espírito aventureiro da mãe natureza que nos enviou uma chuva torrencial, que nos acompanhou por todos os mais de 600 m de escadas até a cidade sagrada, tornando a subida ainda mais complicada.

Machu Pichu como disse é fantástica, cercada de um ar misterioso, intrigante, chegando a ser mágico. Caminhando pelas ruinas a imaginação transborda, fazendo pensar naquelas vielas em tempos remotos, mesmo cercado por frenéticos e barulhentos turistas de toda parte do mundo. Essa cidade merece uma outra visita, mais calma e refletidora.

Após alcançado nosso principal objetivo, iniciamos o regresso e fomos direto para La Paz, dessa vez passando alguns breves dias, onde somente conseguimos andar pelo centro governamental, inclusive topando com o presidente, adorado pelo povo bolivano, Evo Morales.

Depois de La Paz seguimos para Oruro, onde pensávamos em pegar um trem ate a fronteira com Argentina, mas fomos informados que não havia mais passagens, foi onde pensei que iríamos passar por outra aventura, cruzar a parte mais desértica da Bolívia de ônibus. Resignados, fomos comprar a passagem de ônibus até uma cidade próxima, de onde saíriamos para Villazon, fronteira entre Bolívia e Argentina. Neste momento, por obra divina nosso ônibus não saiu, fizemos um pernoite na cidade e com pouca pretensão fomos a estação ferroviária, onde para nossa sorte conseguimos duas passagens de uma senhora que havia desistido de sua viagem. Então, contentes e aliviados corremos para o hotel, pegamos nossas coisas e seguimos para a fronteira.

A viagem foi tranquila e pude assistir a alguns filmes e contemplar o deserto boliviano até Villazon. Na fronteira vivemos alguns momentos tensos, devido a rigidez do exército argentino com os bolivianos que adentram ao país, muitos deles levando quantidade além da permitida de folhas de coca. Passado este momento tenso, compramos nossa passagem para Salta e esperamos pela partida bebendo um cerveza Quilmes bem gelada, pois estava era quente.

Salta, cidade tranquila, arborizada, um tanto quanto organizada, lembrando muito Niterói. Vale uma nova visita.
De Salta rumamos para Foz do Iguaçu, onde visitei alguns amigos, dei uma de sacoleiro e fui outra vez as Cataratas do Iguaçu.
A aventura estava perto de seu final, sendo muito divertida, com momentos de apreensão, perigo, perrengues, mas repleta de conhecimento, paisagens lindas e grande e novas amizades. Uma experiência pra toda vida.


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